Patrimônio Histórico do Ceará

História do Município de Maranguape

Das terras dos índios Potiguaras ao despertar do século XIX, conheça as raízes e a formação do município que guarda a memória viva do sertão cearense.

Origens de Maranguape

Uma jornada pelos séculos de formação do município

Período Pré-Colonial

Os Povos Originários e a Etimologia

As origens de Maranguape retornam aos seus primeiros habitantes: povos indígenas de diversas etnias, entre os quais se destacavam os Potiguaras e os Pitaguaris. Esses povos já cultivavam mandioca e milho, além de conhecerem a existência de minerais na região. Ocupavam tanto a faixa litorânea quanto as encostas da serra, utilizando os recursos naturais para caça, pesca e agricultura de subsistência.

O topônimo "Maranguape" tem origem na língua tupi. Deriva do termo maragoab, que significa "Vale da Batalha". O nome é uma alusão ao lendário cacique da tribo de índios que dominava a região. Sua denominação original era Alto da Vila; depois da expansão da área e a ocupação da outra margem do rio Pirapora, a porção original da vila passou a ser chamada Outra Banda, enquanto a margem oposta ia se formando como centro. Desde 1760, adotou-se o nome Maranguape.

A Serra de Maranguape, com sua principal elevação no Pico da Rajada (980 metros acima do nível do mar), era considerada pelos povos nativos um lugar sagrado e estratégico. Sua posição geográfica privilegiada, com nascentes de rios e vegetação abundante — vestígios de Mata Atlântica e caatinga —, tornava-a ponto de referência e refúgio natural.

Século XVII

A Expedição Holandesa (1649)

As origens civilizadoras do município datam do século XVII, quando a frota de Matias Beck, composta de três iates e outras embarcações menores, chegou ao Ceará em 1649, conduzindo cerca de 298 homens, entre soldados, índios e negros escravos. O capitão holandês fundou na baía de Mucuripe o povoado que mais tarde seria a vila de Fortaleza de Nova Bragança, construindo o forte "Schoenenborch", na foz do rio Pajeú, em cuja volta se desenvolveu a vila.

Os holandeses tiveram notícia da existência de minas de prata na serra da Taquara e na Serra de Maranguape. Na serra da Taquara, chegaram a erguer uma base de apoio no cume da serra. Por meio de promessas e dádivas, conseguiram dos chefes indígenas algumas indicações sobre o local exato onde se encontravam as cobiçadas jazidas.

A expedição holandesa constitui a primeira penetração do homem branco nas terras do atual município de Maranguape, àquela época habitadas por índios potiguaras, que dilatavam seus domínios na faixa litorânea, desde o Rio Grande do Norte até a barra do Ceará e daí ao Piauí. Com a saída dos holandeses do Ceará, o território veio a ser gradualmente ocupado pelos portugueses via concessão de sesmarias.

Século XVIII

As Primeiras Sesmarias

As primeiras sesmarias concedidas no início do Século XVIII tiveram como donatários o tenente Pedro da Silva e Amaro Morais, em 12 de julho de 1707; Jorge Silva, em 29 de dezembro de 1711; capitão Soares de Oliveira, em 17 de julho de 1717; José Gonçalves Ferreira Ramos e Felipe Loureço, em 1790.

O povoamento, entretanto, veio a tornar-se efetivo nos primórdios do Século XIX com a decidida atuação do português Joaquim Lopes de Abreu que, por doação do governo na metrópole, entrou no domínio de algumas sesmarias, incorporando-as a outras anteriormente compradas.

Início do Século XIX

O Nascimento da Cidade

O processo definitivo de povoamento das terras de Maranguape somente ocorreu no despertar do século XIX, com a chegada do português Joaquim Lopes de Abreu. Com ele nasceu o núcleo original da atual cidade de Maranguape, um arruado à margem esquerda do riacho Pirapora, ao lado de uma capelinha a Nossa Senhora da Penha, erguida pelo colonizador lusitano para que os moradores das suas terras pudessem rezar.

Em breve surgiu o arruado à margem do riacho Pirapora, em torno dessa capelinha, construída para atender às necessidades religiosas dos moradores, que se ocupavam nas atividades agrícolas, especialmente na cultura do café. O crescimento foi tão expressivo que, em 1851-1852, a produção de café da Província do Ceará era obtida quase toda nas serras de Maranguape.

A devoção a Nossa Senhora da Penha tornou-se marca da identidade local, com festas e romarias que atraíam fiéis das redondezas — tradição que se mantém viva até hoje, com a Festa de Nossa Senhora da Penha celebrada em 8 de setembro.

Segunda Metade do Século XIX

Prosperidade e Desenvolvimento

Na segunda metade do século XIX, uma nova leva de portugueses introduziu a plantação de cana-de-açúcar e a produção de cachaça, diversificando a economia que até então era baseada no café. Os engenhos de rapadura e aguardente multiplicaram-se pela região.

Em 1875, Maranguape recebeu um grande impulso econômico com a inauguração da linha férrea da Estrada de Ferro de Baturité e sua estação de trem. A ferrovia conectou o município diretamente a Fortaleza, facilitando o escoamento da produção agrícola e estimulando o comércio local. A estação funcionou até 1963, quando foi desativada.

Maranguape também se consolidou como destino de veraneio para as famílias de Fortaleza. O clima tropical quente semiárido brando da serra, com temperaturas mais amenas que as da capital, atraía visitantes que construíram sítios e casas de campo nas localidades serranas.

Maranguape Hoje

Patrimônio, Cultura e Filhos Ilustres

Maranguape é berço de personalidades notáveis da história e cultura brasileira: o historiador e jurista João Capistrano de Abreu; o fundador do Correio do Ceará, Álvaro da Cunha Mendes; a abolicionista Elvira Pinho; o proclamador da República, Tenente Coronel Jaime Benévolo; o matemático e General de Brigada Francisco Benévolo; e o humorista Chico Anysio.

Hoje, o município integra a Região Metropolitana de Fortaleza, a 27 km da capital, com área territorial de 583,505 km² e população de 105.093 habitantes (Censo IBGE 2022). Sua economia, antes baseada na agropecuária, hoje é ancorada nos setores de serviços, indústria e agropecuária, com destaque para as indústrias calçadista, de vestuário, eletrodomésticos e de aguardente.

O turismo é impulsionado pelos atrativos naturais: a Serra de Maranguape, o Pico da Rajada (980 m), cachoeiras, trilhas ecológicas como a da Pedra do Derretido, além do Y-Park (museu e parque de esportes do Grupo Ypioca). O principal evento cultural é a Festa de Nossa Senhora da Penha (8 de setembro) e o Dia do Município (17 de novembro).

Formação Administrativa

Linha do tempo oficial conforme dados do IBGE

1760 / 1842 — Distrito criado com a denominação de Maranguape, por Provisão de 01-01-1760 e Ato Provincial de 18-03-1842, subordinado ao município de Fortaleza.

1851 — Elevado à categoria de vila com a denominação de Maranguape, pela Lei Provincial n.º 533, de 17-11-1851, sendo desmembrado de Fortaleza.

1861 — Pelo Ato Provincial de 07-11-1861, é criado o distrito de Jubaia e anexado ao município de Maranguape.

1864 — Pelo Ato Provincial de 08-06-1864, é criado o distrito de Tabatinga e anexado ao município de Maranguape.

1869 — Elevado à condição de cidade com a denominação de Maranguape, pela Lei Provincial n.º 1.282, de 28-09-1869.

1882 — Pela Lei Provincial n.º 1.992, de 14-08-1882, é criado o distrito de Cruz e anexado ao município de Maranguape.

1890 — Pelo Ato de 08-01-1890, é criado o distrito de Maracanaú e anexado ao município de Maranguape.

1911 — Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 6 distritos: Maranguape, Cruz, Jubaia, Maracanaú, Palmeira e Tabatinga.

1912 — Pelo Ato Estadual de 22-06-1912, é criado o distrito de Gado dos Ferros e anexado ao município de Maranguape.

1920 — Nos quadros de apuração do Recenseamento Geral de 01-IX-1920, o município é constituído de 7 distritos: Maranguape, Cruz do Lajedo (ex-Cruz), Gado dos Ferros, Jubaia, Maracanaú, Palmeiras e Tabatinga.

1933 — Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 7 distritos: Maranguape, Cruz (ex-Cruz do Lajedo), Gado dos Ferros, Jubaia, Maracanaú, Palmeiras e Tabatinga. Assim permanecendo nas divisões territoriais de 31-XII-1936 e 31-XII-1937.

1938 — Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 448, de 20-12-1938, é criado o distrito de Pocinhos (com terras de Lajedo/ex-Cruz) e o distrito de Tanques (com terras de Jubaia). São alteradas as denominações: Gado dos Ferros passa a denominar-se simplesmente Gado, e Cruz passa a denominar-se Lajedo.

1939–1943 — O município é constituído de 9 distritos: Maranguape, Gado (ex-Gado dos Ferros), Jubaia, Lajedo (ex-Cruz), Maracanaú, Palmeiras, Pocinhos, Tabatinga e Tanques.

1943 — Pelo Decreto-Lei Estadual n.º 1.114, de 30-12-1943, o distrito de Lajedo passa a denominar-se Itapebussú; Rocinha passa a denominar-se Amanari; Palmeiras passa a denominar-se Palmácia; e Tabatinga passa a denominar-se Sapupara.

1950 — Em divisão territorial datada de 01-VII-1950, o município é constituído de 9 distritos: Maranguape, Amanari (ex-Pocinho), Gado, Itapebussu (ex-Lajedo), Jubaia, Maracanaú, Palmácia (ex-Palmeiras), Sapupara (ex-Tabatinga) e Tanques.

1957 — Pela Lei Estadual n.º 3.779, de 28-08-1957, são desmembrados do município de Maranguape os distritos de Palmácia e Gado, para constituírem o novo município de Palmácia.

1958 — Pela Lei Estadual n.º 4.437, de 30-12-1958, é desmembrado do município de Maranguape o distrito de Maracanaú, elevado à categoria de município.

1960 — Em divisão territorial datada de 01-VII-1960, o município é constituído de 6 distritos: Maranguape, Amanari, Itapebussu, Jubaia, Sapupara e Tanques.

1963 — Pela Lei Estadual n.º 6.789, de 20-11-1963, é desmembrado o distrito de Amanari, elevado à categoria de município. Pela Lei Estadual n.º 6.328, de 06-06-1963, é desmembrado o distrito de Itapebussu, também elevado à categoria de município.

1963 — Em divisão territorial datada de 31-XII-1963, o município fica reduzido a 4 distritos: Maranguape, Jubaia, Sapupara e Tanques.

1964 — Pela Lei Estadual n.º 7.148, de 10-01-1964, são criados os distritos de Antônio Marques e Vertentes do Lagedo e anexados ao município de Maranguape.

1965 — Pela Lei Estadual n.º 8.339, de 14-12-1965, são extintos os municípios de Amanari, Itapebussu e Maracanaú, sendo seus territórios reincorporados ao município de Maranguape como simples distritos.

1968 — Em divisão territorial datada de 31-XII-1968, o município é constituído de 6 distritos: Maranguape, Antônio Marques, Jubaia, Sapupara, Tanques e Vertentes do Lagedo. Assim permanecendo na divisão territorial de 1988.

1990 — Pela Lei Municipal n.º 1.045, de 22-05-1990, é criado o distrito de Lagoa do Juvenal e anexado ao município de Maranguape.

1991 — Pela Lei Municipal n.º 1.074, de 18-02-1991, são criados os distritos de Cachoeira, Itapebussu, Jubaia, Lages, Ladeira Grande, Manoel Guedes, Papara, Penedo, São João do Amanari e Umarizeiras, e anexados ao município de Maranguape.

1993 — Em divisão territorial datada de 1993, o município é constituído de 16 distritos: Maranguape, Amanari, Antônio Marques, Cachoeira, Itapebussu, Jubaia, Lages, Lagoa do Juvenal, Manoel Guedes, Papara, Penedo, Sapupara, São João do Amanari, Tanques, Umarizeiras e Vertentes do Lagedo.

Atualidade — Em divisão territorial datada de 2014 (IBGE), o município é constituído de 17 distritos: Maranguape (sede), Amanari, Antônio Marques, Cachoeira, Itapebussu, Jubaia, Ladeira Grande, Lages, Lagoa do Juvenal, Manoel Guedes, Papara, Penedo, Sapupara, São João do Amanari, Tanques, Umarizeiras e Vertentes do Lagedo.

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